Conselhos sobre ter (ou não) um sócio



ARTIGOS O History é um canal de televisão por assinatura dos Estados Unidos, que é retransmitido no Brasil através de TV à Cabo, e apresenta em sua grade de programação temas relevantes e atuais, de teor histórico e científico. Um dos seus programas de maior sucesso é "O Sócio" (The Profit), apresentado pelo milionário Marcus Lemonis, um libanês com naturalidade americana, que tem como objetivo identificar pequenas empresas em dificuldades financeiras, comprá-las e reorganizá-las, tornando-as eficientes e lucrativas. Mas até o próprio Marcus, que é experiente e bem-sucedido, às vezes tem problemas com alguns dos seus novos sócios.

Por experiência própria, não recomendo a formação de sociedade com ninguém. Se este tipo de união fosse realmente bom, não haveriam tantos casos de discórdias entre sócios. Já ouvi dezenas de casos onde no começo a sociedade era boa até que um dia tudo desandou. E assim começam as longas batalhas judiciais em busca de reparos e danos morais.

Certa vez conheci um publicitário que, de um dia para o outro, teve a sua bem-sucedida agência no Rio de Janeiro falida pelo seu ex-sócio, que sacou todos os recursos da empresa que estavam depositados no banco, pegou um avião para Miami, Estados Unidos, e de lá nunca mais voltou. Esta agência tinha grandes clientes, e por conta disso gozava de uma boa reserva financeira. O publicitário foi roubado pela pessoa que acreditava ser de confiança, e até hoje desconhece as razões pela qual ele fez isso. Este ex-sócio, numa decisão fria e unilateral, simplesmente decidiu acabar com tudo o que os dois haviam construído, sem se preocupar com as consequências que deixou para trás.

Este é apenas um caso. Há milhares de outras histórias de sociedades frustradas e malsucedidas. Pessoalmente já tive más sociedades com pessoas cujas índoles revelaram-se ruins, e só trouxeram desgosto e frustração. Tempo e recursos foram perdidos, que poderiam ter sidos melhor aplicados no desenvolvimento dos negócios em busca de prosperidade para todos os envolvidos. Porém, entrou em cena as atitudes inconsequentes típicas dos seres humanos baseadas em ganância, egoísmo, falta de caráter, ignorância e desonestidade, que trouxeram resultados ruins para muitos, até para eles mesmos.

Mas há exceções, é claro. Tudo depende das atitudes de cada sócio. Conheço casos de sucesso em que sociedades bem construídas foram positivas para os negócios.

O objetivo deste texto é alertá-lo sobre o perigo em potencial que existe em confiar em outro ser humano, mesmo que este carregue um título de “parente” ou “melhor amigo de infância”. Não importa o que esta pessoa represente para você: enquanto o ser humano não evoluir para uma forma melhorada (o que dificilmente irá acontecer), CONFIANÇA pode acabar em dor, sofrimento, frustração, prejuízo e aquele sentimento de injustiça. Por isso deixo alguns conselhos para quem anda pensando em formar sociedade com alguém:

INVESTIGAÇÃO: Evite surpresas futuras. Não entre numa sociedade com alguém que você não conheça o suficiente. O fato da pessoa ser parente, um membro da igreja ou um conhecido não impede que este tenha um caráter duvidoso. Não seja ingênuo: o seu precioso tempo e dinheiro estão sendo colocados em jogo. Não os desperdice. Pessoas honestas têm a tendência de achar que o resto da humanidade também é honesta, mas na prática não é bem assim que funciona. Faça uma completa investigação. Saiba com quem você está lidando, de verdade. Ao menor indício de problema, é uma certeza enorme de uma dor-de-cabeça para você. Não acredite apenas em palavras. O que importa são os números (registros em livros contábeis, declaração de imposto de renda, extrato bancário, dívidas ativas, contratos com fornecedores, possíveis processos judiciais, folha de pagamento...). Avalie as possibilidades por onde os recursos financeiros do negócio passarão (entrada e saída) e faça uma projeção de longo prazo. Se o seu candidato a sócio se revelar ser um problemático, melhor você se afastar, pois evitará de cair nas mãos (e nas más intenções) dele. Ninguém espera se decepcionar com um amigo. Mas é o que mais acontece.

ASSESSORIA: Contrate um bom advogado para assessorar a celebração da sociedade, a fim de analisar toda a situação, redigir contratos e registrar a documentação que será firmada. Não permita que um acordo de negócios fique apenas nas palavras. Assine e registre um documento com tudo o que foi acordado, e estipule penalidades prevendo um possível descumprimento do acordo. Determine no documento, de forma clara, as responsabilidades e atribuições quanto ao papel de cada um no negócio. Deixe que esse advogado construa o documento, pois ele é especialista nesse campo. É um custo que vale a pena para garantir que ambas as partes tenham segurança jurídica, algo que será muito útil num possível clima de hostilidade e desavença, caso a sociedade desande. Não se engane achando que as coisas serão diferentes entre você e o seu sócio. Tempo e convivência revela nos seres humanos o “verdadeiro eu” que vive escondido. Proteja-se para não ser pego de surpresa. Ponha tudo no papel.

CONTROLE: Certifique-se de que as ações desempenhadas no negócio sejam claras e transparentes entre as partes envolvidas. Evite que haja segredos ou informações desencontradas. Tenha o hábito de registrar as ações que ocorrem no negócio, gerando relatórios, para mensurar e acompanhar o andamento das coisas, principalmente no que se refere à movimentação financeira (entrada e saída de dinheiro), que é um ponto chave em qualquer negócio. Também é importante manter as informações adequadas ao público certo. Exemplo: o departamento de operações não precisa saber a movimentação financeira da empresa. Esse tipo de informação é exclusivo da direção e do contábil da empresa. O que é pertinente à equipe de operações são as ordens de serviços para cumprir. Quando esse controle é quebrado, informações importantes de um setor podem chegar indevidamente a outros setores, podendo gerar comentários desnecessários e até vazamentos de informações. O controle tem que ser transparente, preferencialmente, entre a direção do negócio.

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